Todos os dias ela fazia o mesmo caminho e caminhava com a mesma velocidade. Lenta, mas concentrada subia a ladeira em direção a algo que não sabia exatamente o que era. Toda manhã passava pelas mesmas casas que estavam acordando lentamente e pensava na saudade que sentia de sua infância, quando precisava acordar cedo e passar pelos mesmos lugares, e sempre no mesmo horário. Ela sabia, sabia que aquilo também ia passar, assim como a infãncia. Só não sabia quando.

Ela sentia um vazio no peito que não sabia explicar o que era. Será uma fase que está terminando? E a dúvida do que será a próxima fase. Quanta curiosidade tinha ela em imaginar como seu futuro seria. Não conseguia definir aquele sentimento, mas eu classificaria como angústia, uma forte dor do qual a causa é a solidão, e ela sabia, ficar só não é de todo mau. A solidão auxilia na projeção de planos para a vida e para o futuro, que ela também sabia que não seguiria seus planos.

A dúvida de não saber se fez a escolha certa causa um certo desconforto que pode ser chamado de dor. Não dor física, porque essa passa se tomar remédio. Uma dor que só passa com o remédio tempo, tempo que parece demorar pra passar quando se está passando por fases difíceis, ou, eu diria, turbulentas. Nem todas as fases turbulentas são difíceis.

Ela sabia que podia contar com algumas pessoas e com outras não. Sabia que se decepcionaria com algumas, mas não sabia que as pessoas que ela menos esperaria são as que mais ela podia contar, e as pessoas que ela menos espera podem lhe decepcionar. Isso já é fato confirmado cientificamente. Iria encontrar pelo caminho pessoas que nunca mais esqueceria, e que nunca esqueceriam dela e de seu jeitinho de criança eterna, pessoas destinas, por algum motivo sem explicação (assim como quase tudo na vida não tem explicação e tem uma certa insistente função de deixar dúvidas) iriam cruzar seu caminho em algum momento de sua vida, e sim, iriam deixar saudades, muitas saudades…

Quando uma etapa da vida de alguém atinge o ápice e chega no final, é momento de relembrar tudo o que foi vivido, tudo o que foi superado, tudo que foi perdido, tudo o que foi ganho. As pessoas que fizeram parte de tudo isso, que poderam fazer parte da próxima etapa, mas que provavelmente não, a dolorosa realidade de ter se separar de alguém precisar ter consciência que poderá nunca mais voltar…

 

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